História

A história de Curitibanos remonta aos tempos, quando a região do planalto catarinense era habitada pelos povos proto-jê e pelos indígenas Kaingang, que viviam em profunda harmonia com as vastas florestas de araucárias. A ocupação não indígena começou a se desenhar em 1646 com a chegada de uma população miscigenada vinda de Assunção, no Paraguai.

Contudo, a consolidação e a origem do nome do município estão diretamente ligadas ao movimento tropeirista a partir de 1730, com a abertura do Caminho das Tropas. Nesse período, dois irmãos da família Dias, vindos de Curitiba, estabeleceram um entreposto comercial na rota que ligava o Sul ao Sudeste. O local tornou-se uma parada essencial para os viajantes e ficou conhecido como “Pouso dos Curitibanos” (Pouso dos irmãos Dias de Curitiba), impulsionando o surgimento de um povoado baseado na pecuária e na agricultura de subsistência.

Ao longo do século XIX, a localidade expandiu-se gradativamente, tornando-se, em 1851, distrito de Lages. Em 1864 tornou-se Freguesia e teve a sua emancipação política como município no ano de 1869.

O território também foi palco de importantes conflitos armados que marcaram a memória coletiva regional. Em 12 de janeiro de 1840, no contexto da Revolução Farroupilha, ocorreu a Batalha de Curitibanos às margens do Rio Marombas, envolvendo Giuseppe e Anita Garibaldi. Mais tarde, durante a violenta Revolução Federalista de 1893, o município testemunhou a brutalidade da degola no episódio do Capão da Mortandade, onde forças maragatas executaram prisioneiros sumariamente.

Mais tarde, o Incêndio de Curitibanos, ocorrido em 26 de setembro de 1914, representou um dos episódios mais violentos e transformadores da Guerra do Contestado, resultando na destruição quase completa da sede urbana do município por grupos rebeldes invasores. Durante o ataque coordenado, pelo menos duas dezenas de imóveis foram sistematicamente saqueadas e incendiadas, reduzindo as casas de madeira a cinzas e forçando o deslocamento desesperado e a fuga dos habitantes para as matas circunvizinhas.

Na década de 1940, a chegada de novas famílias impulsionou o ciclo madeireiro na região. Com o fortalecimento da pecuária e da agricultura, o município transformou-se em uma referência comercial e industrial no estado. Em seu auge, o território curitibanense chegou a contar com quase duzentas serrarias e fábricas em funcionamento simultâneo.

Embora esses eventos históricos tenham sido frequentemente amalgamados pela tradição oral, ambos refletem a relevância estratégica da região. Hoje, a trajetória de Curitibanos preserva a rica herança de seus povos originários, o legado econômico dos antigos tropeiros e a resiliência diante das marcas profundas deixadas por revoluções pretéritas.

 

Antonio Carlos Popinhaki

Coordenador do Arquivo do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza

*Atualizado em 14 de julho de 2026

 

Biografia de curitibanenses

 

Museu Histórico Antonio Granemann de Souza