Curitibanos foi um dos pontos de passagem da heroína

Curitibanos é um dos homenageados em sessão especial sobre Anita Garibaldi na Alesc

Os 198 anos de nascimento de Anita Garibaldi, também conhecida como a “heroína dos dois mundos” por sua participação em combates de ordem revolucionária, no Brasil e na Itália, foram destacados na noite desta quinta-feira (29) em uma sessão especial realizada na Assembleia Legislativa.

Curitibanos é uma das cidades que integra o projeto ““Dois Mundos e Uma Rosa para Anita” por ter abrigado a heroína em uma das mais importantes batalhas da Revolução Farroupilha.

Na ocasião também foi lançada a programação das atividades que serão realizadas para a celebração do bicentenário de nascimento de Anita, e homenageadas pessoas e instituições que contribuíram para a preservação e divulgação da história da catarinense, nascida em 1921 no município de Laguna.

Autor de uma biografia de Anita, o historiador Adílcio Cadorin a qual qualificou  como um “ícone” por seus feitos, sobretudo em território europeu. “Anita Garibaldi saiu daqui de Santa Catarina com apenas 18 anos e morreu com 28 anos de idade. Em apenas um ano e oito meses na Itália se tornou a mãe da pátria italiana e a heroína de dois mundos.”

Também participante do projeto, o arquiteto e historiador italiano Andrea Antonioli, que atualmente atua como diretor da Biblioteca Pública e Museu Renzi, ressaltou a importância da catarinense para a própria existência da Itália como país. “Anita é considerada uma figura feminina muito importante para nós, pois além de ter participado das lutas junto com Giuseppe Garibaldi, abriu as portas para a unificação italiana.”

 

Heroína dos Dois Mundos

 

Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi, nasceu em 30 de agosto de 1821, filha de Bento da Silva, um modesto comerciante de Laguna, descendente de família portuguesa vinda dos Açores, e Maria Antônia de Jesus Antunes. Aos 14 anos, foi obrigada pelo pai a se casar com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, com quem não chegou a ter filhos.

Aos 18 anos abandonou o marido e fugiu com Giuseppe Garibaldi, general italiano que se refugiou no Brasil após lutar pela unificação de toda a península itálica, sob a forma de república.
Sua estreia em batalhas aconteceu contra Frederico Mariath, em prol de causas republicanas. Com o fim da República Juliana, Anita e Garibaldi rumaram para o sul. Ao chegar a Santa Vitória, em 1839, lutou ao lado de Giuseppe na cidade de Lages e participou da Batalha dos Curitibanos, na qual caiu prisioneira. Posteriormente Anita conseguiu fugir e, mesmo grávida de quatro meses, caminhou sem destino por oito dias, até reencontrar Garibaldi.

No dia 26 de março de 1842, Anita, então com 21 anos, se casou com Garibaldi em Montevidéu, no Uruguai, de onde fugiu no ano de 1847, já com filhos, em direção à Itália.
Em junho de 1849, Garibaldi liderou a defesa da República Romana contra as tropas francesas. A França venceu e Roma capitulou. Garibaldi, não admitindo a derrota, seguiu para Veneza. Anita, mesmo grávida de seis meses, vestiu-se com roupas masculinas e o acompanhou na jornada.

A historiografia oficial aponta que Anita faleceu no dia 04 de agosto de 1849, juntamente com a criança que esperava, mas até hoje a causa do óbito ainda é desconhecida, com alguns pesquisadores apontando malária e outros, febre terciária simples, febre perniciosa e até leucemia.
Mesmo após a sua morte, os seus feitos não foram esquecidos, sobretudo em Santa Catarina, onde dá nome a dois municípios (Anita Garibaldi e Anitápolis), além de diversas estruturas e logradouros públicos, como ruas, praças e pontes.

 

(fonte: Alesc)